Tornou-se num produto de grande aplicação e utilidade médica, que se foi popularizando durante o século XIX, a tal ponto que, em 1823, já se descreviam alguns casos de problemas relacionados com esta substância.Alguns eventos científicos e bélicos generalizaram o seu uso: ex.: o aperfeiçoamento da seringa hipodérmica em 1853, a guerra franco-prussiana (1870-1871) e a Guerra Civil americana (1861-1865).
As altas doses administradas aos soldados para fins analgésicos levaram ao aparecimento das primeiras epidemias de morfina, cuja ocorrência permitiu a Louis Lewin criar, em 1874, o termo "morfismo" e o conceito de “dependência” em 1879, com a publicação das suas investigações em relação a 110 casos de "toxicodependência".A dependência da morfina adquiriu proporções de epidemia, sendo especialmente utilizada pelo pessoal de saúde, pessoas do mundo do espetáculo e mulheres da classe média alta, no último terço do século XIX, pelo que se iniciou uma série de medidas de controlo no primeiro decénio deste século.Mais tarde, com a proibição, os controlos tornaram-se mais rígidos, mas enquanto o Ópio e a Heroína desapareceram do mercado legal, a Morfina continuou a ser um fármaco controlado, o que proporcionou, pelo menos até meados dos anos 70, a existência residual de grupos de morfinómanos.